| Dissertações e Teses - 2006|
Título: Identidade e diálogo: desafios e perspectivas teológicas de identidade cultural do negro a partir de uma análise de convivência em comunidades combonianas interculturais
 

RESUMO

A identidade conquista perspectiva de pesquisa interdisciplinar, na interseção entre antropologia e teologia, em que se presta atenção especial às implicações teológicas face a convivência de culturas que a missão universal postula como testemunho da missão de Deus na história. A discussão gira em torno dos desafios da identidade cultural do negro na comunidade comboniana pluricultural. Capta-se um certo mal-estar, expressão da sensação de desconforto pelo descompasso entre processo de inculturação e de aculturação eurocêntrica. Assim, poderíamos afirmar que buscamos um novo modo operacional baseado numa teologia intercultural como sendo o lugar onde identidades serão reafirmadas, fortalecidas e promovidas, como realização do projeto de Deus na história humana.

O argumento da pesquisa é uma articulação orgânica de três núcleos. O primeiro parte do personalismo de origens judaico-cristã e negro-africana, fundamenta a relação do diálogo para interpretar as relações de convivência entre culturas. Esse pensamento personalista nos leva a entender que a identidade da pessoa ( com sua cultura) tem como princípio de individuação a relação intersubjetiva / inter-pessoal /inter-humana/intercultural, fato primitivo de comunicação e articulação, em torno de um projeto comum de vida e na ética de responsabilidade para com o outro e o “mais outro” (pobre). A Revelação, a Tradição são lidas nesse horizonte de intersujetividade.

O segundo núcleo, o cerne da pesquisa, mostra que a identidade se dá na experiência de vida. Assim, a experiência do negro-africano, o sudanês Pe. Daniel Sorur Pharim Deng, chega como melhor ilustração da identidade cultural do negro no contexto da instituição comboniana pluricultural. Trata-se de uma experiência paradoxal: de um lado, a homogeneidade cultural promovida pela missão civilizatória (forma de globalização) do século XIX até o período pré-conciliar Vaticano II, levou o negro, relativamente, ao distanciamento à cultura de origem; de outro lado, de forma alternativa, levou-o a uma resistência face ao eurocentrismo, como expressão de reafirmação dessa cultura de origem(erupção da negritude). No entanto, a verdade se densifica no cristianismo que acredita vir de Deus por quem se deve deixar possuir, num empreendimento sem fim.

Entre distanciamento do negro às comunidade e cultura de origem e a resistência face ao cristianismo ocidental precisa uma negociação. Propõe-se, portanto, uma nova posição: “Identidade em diálogo”. Assim, o paradigma de interculturalidade se apresenta como perspectiva, no sentido de enfoque, como condição de possibilidade e de inteligibilidade para coerência de relações entre culturas (aculturação) e entre as identidades culturais e o Evangelho. Do diálogo depende a construção e desenvolvimento da identidade cultural do negro. (Terceiro núcleo)
 
ABSTRACT

Identity conquers the perspective of the interdisciplinary research, in the intercession between anthropology and theology, which pays a special attention to the theological implications within the living experience of the cultures that the universal mission postulates as testimony for God's mission in history. The discussion is about the challenges of cultural identity of the black in the multicultural Comboni community; in which there is a feeling of uneasiness, discomfort, lack of understanding in the process of inculturation and eurocentric acculturation. In that case, we may confirm our search for a new way based in the inculturation theology being a place where identities shall be reaffirmed, strengthened and promoted as realization of God's project in the history of man.

This thesis is an organic articulation comprising of three main points. The first has its origin from the Judeo-Christian and black African personality, which hold dialogue relations to interpret living relations between cultures. This personal idea makes us understand that the identity of a person (with his culture) has as its origin of individuation in the inter-subjective relation/ interpersonal/ inter-human/ intercultural, the primitive fact of communication and articulation, based on a common project of life and in the ethics of responsibility with the other and “one more” (the poor). Revelation and tradition are understood in this point of view of inter-subjectivity.

The second point, the heart of this research work, shows that identity is possible in the living experience. In that manner, the experience of a black African, Fr. Daniel Sorur Pharim Deng, a Sudanese, comes out as the best example of cultural identity of the black in the context of Comboni multicultural Institution. It is a paradoxical experience: on one side, a cultural homogeneity, promoted by mission civilization (means of globalization) in the pre Vatican Council II period, took the black relatively away from his original culture; on the other side, this experience made him have a resistance towards eurocentrism, as a reaffirmation of this original culture (eruption of negritude). Meanwhile, the truth is found in christianism that is believed to come from God whom should let be possessed in an endless enterprise.

Between the distancing of the black from his community, his original culture, and the resistance towards western christianism, there is need for negotiation. It is suggested therefore, a new position: “ identity in dialogue”. In this manner, the intercultural paradigm, presents itself like a perspective, in the meaning of approach, like a condition of possibility and intelligibility for coherence in relation among cultures (acculturation) and between cultural identities and the Gospel. Construction and development of cultural identity of the black depends on dialogue. (Third point)
 
RESUMEN

La identidad conquista perspectiva de investigación interdisciplinar, en la intersección entre antropología y teología, donde se presta atención especial a las implicancias teológicas delante de la convivencia de culturas que la misión universal postula como testimonio de la misión de Dios en la historia. La discusión gira alrededor de los desafíos de la identidad cultural del negro en la comunidad comboniana pluri-cultural. Se percibe un cierto malestar, expresión de la sensación de descontento por el desencuentro entre el proceso de inculturación y de aculturación euro céntrica. Así podríamos afirmar que buscamos un nuevo modelo operacional basado en una teología intercultural como siendo el lugar donde identidades serán reafirmadas, fortalecidas y promovidas, como realización del proyecto de Dios en la historia humana.

El argumento de la investigación es una articulación orgánica de tres núcleos. El primero parte del personalismo de origen judeocristiano y negro-africano, fundamenta la relación del diálogo para interpretar las relaciones de convivencia entre culturas. Ese pensamiento personalista nos lleva a entender que la identidad de la persona (con su cultura) tiene como principio de individualización la relación Inter.-subjetiva / Inter.-personal / Inter-humana / intercultural, hecho primitivo de comunicación y articulación, alrededor de un proyecto común de vida y en la ética de responsabilidad para con el otro y el ´más otro` (pobre). La revelación y la tradición son leídas en ese horizonte de Inter.-subjetividad.

El segundo núcleo, el centro de la investigación, muestra que la identidad se da en la experiencia de vida. Así, la experiencia de negro-africano, el sudanés Pa. Daniel Sorur Pharim Deng, llega como mejor ilustración de la identidad cultural del negro en el contexto de la institución comboniana pluri-cultural. Se trata de una experiencia paradojal: por un lado, la homegeneidad cultural promovida por la misión civilizatoria (forma de globalización) en el período pré-conciliar Vaticano II, llevó al negro, relativamente, al distanciamiento de la cultura de origen; de otro lado, de forma alternativa, lo llevó a una resistencia delante del euro-centrismo, como expresión de reafirmación de esa cultura de origen (erupción de la negritud). Sin embargo, la verdad se densifica en el cristianismo que cree que proviene de Dios por quien se debe dejar poseer, en un emprendimiento sin fin.

Entre distanciamiento del negro de las comunidades y cultural de origen y la resistencia delante del cristianismo occidental necesita una negociación. Se propone, por lo tanto, una nueva posición: “Identidad en diálogo”. Así, el paradigma de Inter-culturalidad se presenta como perspectiva, en el sentido de enfoque, como condición de posibilidad y de inteligibilidad para coherencia de relaciones entre culturas (aculturación) y entre las identidades culturales y el Evangelio Del diálogo depende la construcción y el desarrollo de la identidad cultural del negro. (Tercer núcleo).

 
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