| Dissertações e Teses - 2007 |
Título: Uma análise da ação missionária de Dom João Gerardi Conedera e a luta pela população indígena da Guatemala.
 

RESUMO

Este meu presente estudo foi desenvolvido em quatros capítulos. Analisei e sistematizei os processos históricos do povo guatemalteco e a maneira com a qual a Igreja acompanhou esses povos; entre luzes e sombras, alegrias e agonia, entre suas lutas e esperanças. Desta maneira, mediante a análise da vida e missão de Dom João Gerardi Conedera, sistematizamos de forma dialética a ações nas quais o bispo se encarnou e encorajou a história nacional e eclesial da Guatemala. No meu modo de ver, parece claro que ele se inspirava no Deus da vida, dos pobres, das vítimas, dos indígenas, experiência que muito bem pode iluminar não só o rumo da Igreja em sua tarefa missionária de hoje, mas, também, no desenvolvimento de qualquer ser humano que acredita e luta por instaurar nesta história os valores do Reino de Deus.

Assim, como nossos tempos vão mudando, penso que a missão da Igreja não pode ficar na arquibancada em relação do que acontece na história dos povos. Por essa razão, estudar a memória histórica da humanidade, a historia da Igreja, de suas lutas, também dos que deram apoio os processos de libertação como fez D. Gerardi, sem dúvida alguma ajuda-nos a compreender melhor a maneira de ser Igreja missionária, destacando o essencial da evangelização da Igreja para a atualidade em que vivemos.

Desta maneira, aprofundar na memória histórica do modo de animar e promover a missão no seguimento de Jesus, segundo D. Gerardi, não significa repetir o que o bispo disse e fez, mas, sim, de aprender pelo modo em que ele agiu para possibilitar a salvação da história, do ser humano, dos oprimidos, dos pobres de Deus, modo que continua sendo chave de leitura para nossa realidade, que interpela, ilumina e incomoda. Manifestação de uma Igreja que avalia constantemente os sinais dos tempos para não perder de vista o essencial e fundamental da vocação de todo ser humano e do Reino de Deus: a defesa e dignidade da vida, o diálogo intercultural e ecumênico que deve caracterizar toda sociedade que quer conseguir a comunhão no meio da diversidade de culturas, a promoção da justiça e da paz dos povos tão essencial, como resposta concreta às políticas de exclusão e morte dos sistemas neoliberais capitalistas que desafiam o mais sagrado da missão da Igreja, a vida do ser humano criado à imagem e semelhança de Deus e em comunhão e solidariedade com o próximo.

D. Gerardi anunciou e denunciou a discriminação a que eram submetidos os indígenas, advogou por uma cultura de vida e não de morte, quis a paz e a reconciliação para todos e não apenas para alguns grupos privilegiados. Fortaleceu e criticou a ação evangelizadora da Igreja, com base no Evangelho de Jesus nos meios dos pobres. Assim o demonstrou ao longo de seu trabalho pastoral nas duas primeiras dioceses onde exerceu seu ministério episcopal: Na Verapaz (1967-1974) e no Quiche (1974-1980). Entretanto, foram muitas as ameaças e acusações contra D. Gerardi, por incomodar as políticas de segurança nacional do poder militar e criticar as políticas econômicas das estruturas de poderes, entre outras levando o bispo até o exílio, longe de sua nação. Depois de ter passado pelo exílio, D. Gerardi é nomeado bispo auxiliar da Guatemala (1984-1998), sob a responsabilidade da pastoral social, fortalecendo e promovendo a dignidade das pobres, das vítimas, dos migrantes de muitas regiões que lhe procuravam em busca de ajuda e alívio de seus problemas. Desta maneira, D. Gerardi impulsiona o projeto do Escritório dos Direitos Humanos do Arcebispado, o (Odha) e, com ele, o nascimento de um outro projeto: o de “Recuperação da Memória Histórica” (REMHI), que resgata a memória dos povos, das suas lutas pela vida e a denúncia dos acontecimentos do terror que lhes atormentaram nos 31 anos do conflito armado interno.

Esse projeto, o REMHI, coroou a ação evangelizadora de D. Gerardi, foi a proposta mais radical e pastoral impulsionada no país e, ao mesmo tempo, a mais polêmica pelos setores de poder. A intenção última nasce da alma missionária de Gerardi que lhe dói a exclusão, o silêncio e o esquecimento de uma história na qual o povo pobre foi a vítima. Projeto que chega até as mesmas raízes da realidade e história da Guatemala, muitas vezes tergiversada e falseada. E evangelizadora, porque a “Boa Notícia” não pode ficar em um ligeiro verniz, mas, sim deve chegar às vísceras das pessoas, dos povos e das culturas.

Na conclusão deste trabalho são destacados alguns elementos essenciais da ação evangelizadora de D. Gerardi. Deles não podemos esquecer, pois são considerados elementos essenciais para a compreensão da missão da Igreja atual, por exemplo: a defesa da vida e sua dignidade, das culturas, das vítimas que caracterizaram e se constituíram em opção na missão do bispo Gerardi e da Igreja da Guatemala daquela época. São elementos que a teologia da missão coloca como núcleo central de reflexão e práxis para a evangelização da Igreja, elementos que interpelam a vocação dos discípulos e missionários de hoje.

Este trabalho quer ser uma contribuição para a Igreja que analisa e aprofunda o tema da missão, da evangelização, da pastoral, da história da Igreja na Guatemala; a partir da rica experiência de vida e missão de um verdadeiro mestre como foi D. João Gerardi em todo o sentido da palavra.

 
ABSTRACT

This present research was developed in four chapters. I analyzed and I organized the historical processes of the Guatemalan people and the method that the Church followed these peoples, between light and shades, joys and agony, between fights and hopes. In this way, by means of the analysis of the life of and mission of Dom João Gerardi Conedera, we systemize in dialectic method the actions in which the bishop incarnated and encouraged the national and ecclesial history of Guatemala. From my point of view, it seems clearly that he was felt inspired in the God of the life, the poor persons, the victims, the aboriginals, experience that very can well not only illuminate the route of the Church in its task missionary of nowadays, but also, in the development of any human being that believes and fights for restoring in this history the values of the Kingdom of God. In the same way that our times changes, I think that the mission of the Church cannot be parked in relation to what it happens in the history of the peoples. Therefore, to study the historical memory of the humanity, the history of the Church, of its fights, also that they had given support to the release processes as it made D. Gerardi, without doubt to help us understanding better how to be Church missionary, detaching the essential of the evangelization of the Church for the present time where we live.

However, to go deep in the historical memory in the way to liven up and to promote the mission in the pursuing of Jesus, according to Dom Gerardi, don’t mean to repeat what the bishop said and made, but, to learn for the way where he acted to make possible the salvation of history, of the human being, the oppressed ones, of the poor persons of God, way that continues being the key of reading for our reality, that interpellate, illuminates and bothers. Manifestation of a Church that constantly evaluates the signals of the times not to lose of sight the basic essential and of the vocation of all human being and of the Kingdom of God: the defense and dignity of the life, the intercultural and ecumenical dialogue, the promotion of justice and the peace them peoples so essential, as concrete reply to the exclusion politics and death them capitalist neoliberal systems that defy most sacred of the mission of the Church, the life of being human being servant the image and similarity of God.

Dom Gerardi announced and denounced the discrimination the one that was submitted the aboriginals, fought for a life culture and not for death, he not only wanted the peace and the reconciliation for all and for some privileged groups. He fortified and he criticized the action of the Church, on the basis of the Jesus’ Gospel in the between poor them. In the same way that it demonstrated it throughout its pastoral work in the two first dioceses where he exerted its Episcopal ministry: In Verapaz (1967-1974) and in Quiché (1974-1980). However, the threats and accusations against D. Gerardi for bothering the politics of security of the military power had been many and criticizing the economic policies of the structures of power, among others taking the bishop for the exile, far from its nation. After having passed for the exile, D. Gerardi is nominated bishop auxiliary of Guatemala (1984-1998), under the responsibility of the social pastoral, fortifying and promoting the dignity of the poor persons, the victims, the migrants of many regions that looked in search of help and relief to it of them problems. In this way, D. Gerardi stimulates the project of the Office of the Human Rights of the Archbishopric, (Odha), with it the birth of a project: “Recovery of the Historical Memory” (REMHI), that it rescues the memory of the peoples of the fights of them for the life and the denunciation of the events of the terror that had tormented to them in thirty and one years of the internal armed conflict.

This project, the REMHI, it crowned the action of evangelization of D. Gerardi, it was the stimulated pastoral reply most radical and in the country and, at the same time, most controversial for the sectors of power. The last intention is born of the soul missionary of Gerardi that it aches the exclusion, the silence and the forgetfulness of a history in which the poor people were the victim. Project that arrives until same root of the reality and history of Guatemala many times tergiversated and falsified. Because the “Good News” cannot be in a fast varnish, but, it must arrive at the viscera of the people, the peoples and the cultures.

n the conclusion of this research some essential elements of the evangelization action of D. Gerardi are detached. We cannot forget them, therefore essential elements for the understanding of the mission of the current Church are considered, for example: the defense of the life and its dignity, the cultures, the victims who had characterized and if had constituted in option in the mission of the Gerardi bishop and the Church of Guatemala of that time. They are elements that the theology of the mission shows nucleus as central of practical reflection and for the evangelization of the Church, elements that interpellate the vocation of the disciples and missionaries of today. This research wants to be a contribution for the Church that analyzes and deepens the subject of the mission, from the rich experience of life and mission of a true master as Dom João Gerardi.

 
RESUMEN

Esta investigación fue desarrollada en cuatros capítulos, sintetizando los procesos históricos del pueblo guatemalteco y la manera en que se hizo presente la Iglesia, entre luces y sombras, alegrías y tristezas, entres sus luchas y esperanzas. De esta manera mediante el análisis de la vida y misión de Mons. Juan Gerardi Conedera, sistematizamos la manera de cómo él se encarnó y encaró la historia nacional y eclesial de Guatemala, inspirado por el Dios de la vida, de los pobres, de las víctimas, de los indígenas, sumergido en una época de difícil convivencia socio-eclesial; experiencia que muy bien puede iluminar no solo el rumbo de la Iglesia en su que hacer misionero hoy, sino también, para cualquier hombre y mujer que cree y lucha por instaurar en esta historia los valores del Reino de Dios.

Así como los tiempos van cambiando y todo se mueve a una velocidad indescriptible, la misión de la Iglesia no puede quedarse como espectadora de lo que acontece en la historia de la humanidad, de los pueblos, de los pobres de Dios. Por esa razón, estudiar la memoria histórica de los pueblos, de sus luchas y de quiénes apoyaron en los procesos de liberación como lo hizo Mons. Gerardi sin duda alguna, nos ayuda a comprender mejor, la manera de ser Iglesia misionera, destacando lo esencial de la evangelización de la Iglesia para la actualidad en que vivimos.

De esta manera, profundizar en la memoria histórica del modo de animar y promover la misión según Mons. Gerardi, no significa repetir lo que el obispo dijo e hizo, sino más bien, aprender del modo en que él actúo para posibilitar la salvación en la historia, ubicarnos delante de las necesidades urgentes del ser humano concreto, de la sociedad y delante de Dios, experiencia que continúa siendo clave de lectura para nuestra realidad, que interpela, ilumina, incomoda y propone al sector de la Iglesia profética a estar evaluando los signos de los tiempos, auto criticarse y no perder de vista lo esencial y fundamental de la vocación de todo ser humano: la defensa y dignidad de la vida, el diálogo intercultural y ecuménico que debe caracterizar toda sociedad que quiere alcanzar la comunión en medio de la diversidad, la justicia y la paz de los pueblos tan esencial, como respuesta concreta a las políticas de exclusión y muerte de los sistemas neoliberales capitalistas que desafían lo más hondo y sagrado de la misión de la Iglesia, el ser humano creado a imagen y semejanza de Dios y en comunión y solidaridad con el prójimo.

Mons. Gerardi anunció y denunció la discriminación hacia los pueblos indígenas, abogó por una cultura de vida y no de muerte, quiso la paz y el bien común para todos y no apenas para algunos grupos de privilegiados. Fortaleció y criticó la acción evangelizadora de la Iglesia, para que fuera de los pobres. Así lo demostró a lo largo de su trabajo pastoral en las dos primeras diócesis en donde ejerció su ministerio episcopal, la Verapaz (1967-1974) y el Quiché (1974-1980). Sin embargo, fueron muchas las amenazas y acusaciones que recibió Mons. Gerardi por incomodar las políticas de seguridad nacional, y las estructuras de poderes por la manera de ser y expresar la Iglesia pueblo de Dios a favor de los derechos de los pobres. Posteriormente, después de haber pasado por el exilio, Mons. Gerardi es nombrado obispo auxiliar del arzobispado de Guatemala (1984-1998), bajo la responsabilidad de la pastoral social, fortaleciendo y promoviendo la dignidad de los pobres, de las víctimas, de los emigrantes de muchas regiones del país que buscaban ayuda. De esta amanera Mons. Gerardi impulsa el proyecto de la Oficina de Derechos Humanos y con ella el nacimiento de uno de los proyectos inéditos: La “Recuperación de la Memoria Histórica” (REMHI), proyecto que rescata la memoria de los pueblos, la lucha por la vida y la denuncia de los mecanismos del terror operada por los sistemas de muerte que les atormentaron en los 31 años de conflicto armado interno.

Este proyecto del REMHI, coronó su acción pastoral y su fidelidad al Pueblo de Guatemala, fue la propuesta más radical y evangelizadora impulsada en el país y al mismo tiempo la más polémica e incomprendida por los sectores de poder. La intención última nace del alma evangelizadora de Gerardi que le duele la exclusión, el silencio y el olvido de una historia donde el pueblo pobre fue víctima. Propuesta radical que toca las mismas raíces de la realidad e historia de Guatemala, de la identidad indígena que le caracteriza, muchas veces tergiversada y falseada, además de la carga racista que la cruza. Y evangelizadora porque la “Buena Noticia” no puede quedarse en un ligero barniz, sino que debe llegar a las entrañas de las personas, de los pueblos y las culturas.

Para finalizar destacamos algunos elementos esenciales de la acción evangelizadora de Mons. Gerardi que no podemos olvidar y que son considerados elementos esenciales para la comprensión de la misión de la Iglesia hoy, por ejemplo: la defensa de la dignidad de la persona humana, de las culturas y diálogo intercultural, de las víctimas que caracterizaron y constituyeron la vida y misión de Mons. Gerardi. Elementos que la teología de la misión coloca como núcleo de reflexión y práctica, que interpelan la vocación de los discípulos y misionarios de hoy. Este trabajo sin duda alguna quiere ser un aporte para la Iglesia que analiza y profundiza el tema de la misión, de la evangelización, de la pastoral, de la historia de la Iglesia; a partir de un verdadero maestro de la misión en todo el marco socio-eclesial como lo fue Mons. Juan Gerardi Conedera.
 
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